Publicado em 17 de setembro de 2026
A relação de crianças e adolescentes com plataformas digitais pode mudar profundamente na Europa. A União Europeia prepara uma proposta para restringir o acesso de menores de 15 anos a redes sociais, jogos online, serviços de vídeo e chatbots de inteligência artificial.
A iniciativa aparece em um rascunho associado ao chamado EU KIDS Act. O documento prevê que crianças e adolescentes abaixo dessa idade não criem contas por conta própria. Além disso, o texto aumenta a participação dos responsáveis nas decisões de acesso.
Embora ainda não seja uma lei aprovada, a proposta sinaliza uma mudança relevante. O debate deixa de tratar apenas de tempo de tela. Agora, também envolve autonomia digital, proteção de dados, publicidade e responsabilidade das plataformas.
O que a proposta europeia prevê
De acordo com o rascunho obtido pela AFP, menores de 15 anos teriam restrições para abrir contas em diferentes tipos de serviços digitais. A medida alcançaria as redes sociais, as plataformas de compartilhamento de vídeos, os jogos conectados e os sistemas conversacionais baseados em inteligência artificial.
Na prática, a proposta impediria que esse público assumisse sozinho a criação de perfis. Portanto, a autorização ou a supervisão dos pais ganharia mais peso. O modelo também prevê regras distintas conforme a faixa etária.
Esse ponto é importante. Crianças mais novas exigem um nível de proteção diferente daquele aplicado a adolescentes próximos dos 15 anos. Assim, a regulamentação tenta evitar uma regra única para públicos com níveis distintos de maturidade e autonomia.
O rascunho, porém, não representa o texto final da legislação. Ainda podem ocorrer mudanças durante as discussões entre instituições europeias, governos nacionais e empresas do setor. Por isso, a aplicação prática dependerá do conteúdo aprovado e dos mecanismos de fiscalização.
Por que a medida interessa ao marketing digital
Para o marketing digital, a proposta pode alterar a forma como marcas e plataformas alcançam públicos jovens. Atualmente, campanhas digitais dependem de segmentação, comportamento de navegação e criação de perfis de audiência.
Com novas limitações, esse ecossistema tende a enfrentar mais restrições. Dados associados a menores poderão exigir controles adicionais, consentimento dos responsáveis e processos mais rigorosos de verificação de idade.
Além disso, as empresas precisarão revisar a jornada de cadastro. Não bastará oferecer um botão de confirmação. Será necessário demonstrar que o acesso respeita a idade informada e, quando exigido, a autorização familiar.
- Plataformas: deverão revisar mecanismos de cadastro, moderação e controle parental.
- Anunciantes: poderão perder parte da capacidade de segmentar públicos menores de idade.
- Agências: precisarão avaliar formatos, mensagens e canais adequados para campanhas familiares.
- Marcas: terão de priorizar transparência, segurança e comunicação apropriada para cada faixa etária.
Esse movimento também reforça a pressão por ambientes digitais mais transparentes. A União Europeia já vem ampliando a discussão sobre responsabilidade tecnológica. Nesse contexto, vale acompanhar como a região trata a rotulagem de conteúdo gerado por IA.
Proteção infantil exige mais do que bloquear contas
A restrição de idade pode reduzir determinados riscos. Entretanto, ela não resolve sozinha os problemas relacionados ao uso de plataformas digitais.
Um sistema eficiente precisa considerar exposição a conteúdos inadequados, assédio, coleta excessiva de dados e interações manipuladoras. Também deve observar como recomendações automáticas influenciam o comportamento dos usuários.
Os chatbots de inteligência artificial ampliam essa preocupação. Diferentemente de um conteúdo estático, esses sistemas respondem em tempo real. Por isso, podem participar de conversas delicadas, oferecer orientações equivocadas ou estimular interações prolongadas.
Ao mesmo tempo, a verificação de idade pode criar novos desafios de privacidade. Se uma plataforma exigir documentos ou informações sensíveis, deverá explicar como armazena, utiliza e elimina esses dados.
Proteger menores no ambiente digital não significa apenas impedir o cadastro. Significa criar experiências compatíveis com a idade, com transparência e participação responsável das famílias.
Portanto, a solução precisa equilibrar segurança e direitos individuais. Uma barreira mal desenhada pode excluir usuários legítimos, aumentar a coleta de dados ou incentivar o uso de informações falsas.
Os impactos para plataformas, famílias e anunciantes
As plataformas deverão lidar com uma tarefa complexa: identificar a idade dos usuários sem transformar o cadastro em um processo invasivo. Essa exigência pode aumentar custos operacionais e demandar novas ferramentas de conformidade.
Para as famílias, a proposta pode trazer mais visibilidade sobre os serviços usados por crianças e adolescentes. Porém, a responsabilidade não deve recair exclusivamente sobre os pais. Empresas precisam oferecer controles claros, acessíveis e fáceis de configurar.
Já os anunciantes devem repensar a dependência de segmentações baseadas em idade. Estratégias contextuais podem ganhar espaço. Nesse modelo, a publicidade considera o conteúdo ou o ambiente, e não apenas o perfil individual.
Além disso, marcas podem investir mais em comunicação voltada aos responsáveis. Em vez de abordar diretamente o menor, campanhas podem apresentar benefícios, segurança e condições de uso para a família.
Essa transformação tende a favorecer empresas que adotam governança desde o planejamento. Também pode aumentar a importância de dados próprios obtidos com consentimento e finalidade bem definida.
Uma mudança que pode influenciar outros mercados
A proposta europeia pode funcionar como referência para debates em outras regiões. A União Europeia frequentemente estabelece padrões que influenciam produtos, políticas de privacidade e práticas de empresas globais.
Mesmo assim, não é possível afirmar que o modelo será replicado automaticamente. Cada país possui regras, estruturas de fiscalização e prioridades próprias.
Por enquanto, o principal sinal está na direção política. Plataformas digitais terão de demonstrar maior responsabilidade na relação com menores. Consequentemente, o marketing também precisará evoluir para modelos menos dependentes de rastreamento individual.
A discussão ainda está no início. No entanto, empresas que anteciparem mudanças poderão reduzir riscos e construir mais confiança. No ambiente digital, essa confiança tende a se tornar um ativo tão importante quanto alcance ou conversão.
Referência: canaltech.com.br
Revisado em 17 de setembro de 2026. Conteúdo revisado editorialmente antes da publicação.
Fontes consultadas: canaltech.com.br





